No meu museu imaginário existem muitos fatos pelo qual até hoje me recordo, pena que naquela tempo não tínhamos maquinas de fotografia e nem celulares para registrar dádivas adquiridas.
Lembro que quando estudava nas séries iniciais, era em uma turma multisseriada, morava na zona rural. A professora nos ensinava através de livros didáticos , estes que nunca esqueço de um texto do livro “Mundo Mágico ’’que se chamava “ O grão de milho’’, que falava de uma galinha que tinha achado um grão de milho e queria plantá-lo e convidou seus amigos ... Foi muito importante a descoberta das palavras, antes eu só observava as ilustrações e adivinhava o que ali estava escrito.
Existem fatos alegres e tristes em meu museu imaginário, um deles; lembro que estava na hora do recreio, brincávamos todos juntos , quando um colega pegou um sapo e colocou-o em minha blusa, isto gerou um medo horroroso por este animal . Outro fato era de como íamos até a escola ,morávamos longe da escola e meu pai construiu um reboque fechado com bancos e porta , puxado pelo trator ,que era dirigido por ele mesmo. No caminho ficávamos olhando as paisagens por uma janelinha que tinha de cada lado. Depois de alguns anos, eu já estava na quarta série ,quando foi inaugurada uma escola onde morava , minhas lembranças dessa época é muito importante , a professora era muito autentica e desprendida ,nos ensinava com um carinho e os nossos piquenique...Ah! Que saudades!!! E também as aulas de técnica agrícolas, plantávamos e colhíamos as plantas para comer na merenda ,que era preparada pela própria professora, tinha o dia de comer alho , este sim , não adiantava fazer cara feia , tinha que comer – era bom para a gripe – dizia a professora ,que ficava olhando até engolir.
No outro ano meus pais decidiram a se mudarem para Minas do Leão, onde moro até hoje, e aqui fui estudar em outra escola grande,mas já estava me adaptando aos novos conhecimentos e a quebrar barreiras. Lembro de uma professora que pediu para ler um livro e fazer uma resenha , escolhi um livro de Machado de Assis : Memórias Posturas de Brás Cuba. Era um livro de difícil compreensão e muito grande, já estava chegando a data de entrega do trabalho e eu ainda não tinha lido tudo, olha que fiz ! Li os primeiros capítulos e o final, o enredo da história até hoje eu não seu! A professora não conhecia a história e me fez perguntas só das coisas que tinha falado,ufa!! Fiz errado, mas a professora poderia ter ajudado a escola dos livros ou teria estabelecido o gênero das obras,nas idades adequadas .
Com isso, hoje antes de começar a ler os livros, procuro saber qual o assunto tratado em todo o conteúdo.
Estudei o meu ensino médio em uma escola profissionalizante, formei em magistério. Neste período foram outra as aprendizagens obtidas em destaque a visita ao museu de Rio Pardo, Gramado, os filmes assistidos,as observações, os estágios e as amizades construídas e perpetuam até hoje.
Fiz vestibular na Ulbra e cursei Pedagogia, tudo foi mágico, mas durou pouco, tive que trancar a matricula, perdi o contrato do município e não tinha com pagar as mensalidades ,ônibus , lanche e Xerox .Que decepção, o curso superior era meu sonho grande sonho, mas não perdi a esperança e tenho sempre meu pensamento em alto. Passou um tempo e fui chamada no concurso e voltei a estudar, cursando poucas cadeiras, ganhava pouco e tinha o ônibus e tudo mais.
Um dia minha colega comentou que Pólo de Arroio dos Ratos teria vestibular , me inscrevi no curso de Educação no Campo, era um curso novo e Graças a Deus, estou aqui e adorando .
O ser humano é um ser incompleto e esta sempre a procura de mais conhecimento como diz o poeta:
”O ser humano é um ser incompleto e inconcluso”-Freire, Paulo
Leio sempre livros de auto-estima, além dos pedagógicos e um que sempre recomendo é o Segredos da interioridade de Jorge Trevisol.Conheci este escritor em um curso, parecia que envolta existia um manto o envolvendo ,transmitia muita paz e alegria .
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“... O ser humano engendra uma capacidade e uma necessidade insubstituíveis de conexão com tudo. Sem sentir essa unidade não há felicidade. A consciência é o eixo de todo esse movimento. Toda vez que isso não acontecer, a vida se encarrega de nos conectar com alguma coisa, até mesmo com aquilo que menos desejamos. Muitas vezes ao medo e aos desejos . O que não queremos acabamos sentindo.Só o amor vai poder resgatar aquilo que ficou pra trás de tudo...” - Trevisol, Jorge – Caxias do Sul ,RS :Ed. Maneco,2008.160p.
Patrícia Freitas de Melo




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